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Já estávamos em Minas mas ainda faltava muito para o destino paulista. Goiânia se afastava com as léguas do caminhão lotado de mim. A sede d...
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Desejo, o ímpeto Dessossego aos poucos Atormenta, atordoa a toa Aos passos, poucos, aos pulos _ Ele passa, diz a lenda! Desalenta, desatenta...
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Existe uma figura que sempre me chamou a atenção (será que por alguma semelhança?) em muitos ambientes em que frequento. Geralmente este tip...
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Sedução
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Os Chatos
Seria a chatice só um estado de espírito? O sujeito estaria chato? Colocaria o dedão no chatômetro pra medir seu grau de chateza do dia? Se passasse do nível 7 seria proibido de sair de casa, com pena de multa se o fizesse.
Tem tipo diferente de chato? Aquele que conversa te abraçando e com o rosto colado no seu (geralmente com mau hálito). Tem o chato sabe-tudo, especialista de assuntos mais específicos, ninguém é tão hábil motorista do que ele, jamais nasceu mortal tão entendido de mulher, é o campeão de conhecimentos gerais. O chato religioso não te deixa falar e é capaz de afugentar até Zeus com 3 minutos de prosa, este convence Gandhi a matar, judeu a comer porco, satanista a fazer caridade, etc, só para não tê-lo por perto.
Todo chato que se preza, sopra fumaça de cigarro na sua cara, costuma ter uma quedinha por escândalo, pega microfone em festa e quando compra carro, mete som potente fazendo questão que todo mundo escute (comumente tocando Chico Buarque, Villa-Lobos ou mesmo um Tchaikovsky básico, né?).
Na mídia tem chato? Aquele que manda beijinho e ainda tomba a cabecinha. Faz um gol e vira Deus, olha pra tela e te enche a cuca de clichê (geralmente iniciados em “eu acho”). Ainda bem que tem uma galera simpática: Faustão, Kalil, Perrela, Ana Maria Braga, Padre Marcelo e claro, a rainha Meneguel. É tudo gente de primeiríssima, uma companhia e tanto pra uma mesa de bar, por exemplo.
Chato te para na rua, não te larga enquanto sua pressão não chega a níveis catastróficos e ainda pega na sua mão impedindo a fuga. Conversa é dando tapa, te lembra de ex (na frente da atual, claro), te dá lição de moral (comumente citando exemplos da própria vida), e ainda por cima pega seu email pra te enviar uma porrada de corrente e mensagens em massa. Manda tudo quanto é bonequinho, bichinho e letrinha pra você clicar.
Mas nenhum chato supera o cronista. É o cara que fica com a caneta na mão perdendo o tempo dele e do leitor pra falar de uma coisa que todos nós temos um pouquinho. Um brinde a todos os chatos (assumidos ou no armário).
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Vingança
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Prosperação
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Companhia e Cia
domingo, 27 de dezembro de 2009
Casos de Amor
clara coisa , nítida. O amor ofusca
Estela sempre foi minha melhor amiga. Mesmo ejaculando implicância sobre meu então namorado, nunca rompemos. Mal sabíamos que meu filho e a filha dela se tornariam tão íntimos; ela mãe solteira e eu casada com meu único namorado.
A roda viva da vida é rota de olaria. No dia em que a menina quebrou o pé, aquele com quem ela tanto implicava virou um leão, tal qual desejo no alvo, e nem se preocupou em nos deixar naquele acampamento hostil. Tudo pra acudir a pequena. Estela me olhou entre temerosa e envergonhada. O mal se paga com o bem.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Poema de Natal
Escarrar na barba do Noel
Que aperte o off o deus menino
E se cale o jingle bell
Ho ho hoje é dia de ironia
Em transe transam as máscaras
O saco rubro se esvazia com as almas
E se enche de música ridícula
É tempo de esperança sem juros
Que liquida e se divide
Engodo para a consciência...
Que as rolhas se esvoacem em glória
E que haja paciência!
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Cifrão
_Veja, meu povo. É a obra do capeta nesse senhor.
_Cambeta é a rapariga que lhe pariu, mauricinho de merda. E senhor é um camarada que tá longe desse lugar vazio, dizia arreganhando as gengivas.
_Irmão, dou-lhe o terno que me cobre, em nome do Senhor. Aleluia!!!!
Gargalhando e atirando moeda no chão, o maltrapilho então vira pra morena tentação e anuncia que o melhor da vida se faz é pelado
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
A Crônica que Nunca Escrevi
Para ficar legal, podia colocar denúncia social nela. Dizer que com o Aécio presidente ou não, a pobreza não vai diminuir, que mudanças não são feitas nas urnas mas nas ruas. Mas aí vão me taxar de marxista e nem barba grande eu tenho. Melhor não denunciar nada, mas daí vão me julgar superficial, vão dizer que o texto tá cheirando a Luciana Gimenez.
Legal, poderia comentar sobre o “cheirando a” escrito acima, ficou bacana, deu tom mais sério. Posso dar nome a isto de regência, daí fico parecendo gente ilustrada. Mas podem me julgar gramatiqueiro e o texto que nem sei se vai sair já vai nascer caduco. Melhor largar mão.
Pior de tudo é que sempre escrevi foi artigo de opinião, com proposta definida, amparo científico e fantasia de seriedade. Mas aí vou estar é dando aula de gênero textual e vão me julgar linguista. Que chique, não coloco o trema e mostro pra galera que tô antenado à reforma ortográfica. Mas aí vão achar erro de português e vai pegar mal pra caramba (podia falar caramba?).
Vamos largar de metalinguagem (é a língua falando da língua, melhor explicar porque senão vão me taxar de incompreensível). Se não vou me posicionar como marxista, que tal direitista? Falar da Linha Verde, privatização da 381, pré-sal – o Brasil está modernizando(miserável agora não toca mais campainha, pede comida por celular, manda e-mail requerendo pão). Mas daí vão dizer que tenho rabo preso com o governo e que tô é ganhando por fora. Sei lá, meio antiquado falar em direita ou esquerda em tempos ambidestros.
Já sei, vou tacar palavrão na crônica, daí vai dar tom informal, leve e vai fazer maior sucesso. Só que depois vou me fu..., entrar mal. Largar mão disso, já pensou marcha da família? _Em nome da moral, da ética e dos bons costumes, apedrejem o cronista. (“eu sou apenas o cantor”). Mas eu gosto de tudo que é proibido, imoral ou que engorda. Poderia chegar com papo de eu-lírico e dizer que quem falou isso foi a personagem e não o autor.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Caçada
Dessossego aos poucos
Atormenta, atordoa a toa
Aos passos, poucos, aos pulos
_ Ele passa, diz a lenda!
Desalenta, desatenta
Desejança!
Saio, sem sol, sem sal
Suspirejo...só!
A saia...
Eu olho, me olho, o olho
Aos passos, poucos, aos pulos
Me envolvo, empolvo a presa, o faro
Esmago, entalo, enfaro
Saia...
Sou preso, sou presa, surpresa
O povo, o polvo, a prova
Dever...
Manter o que?
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Ode(io) ao Bufo
espinhos ou presas
prendes o medo
em teu pustuloso visgo.
viveste em teu
lutuoso meio,
cercado pelo
líquido da vida,
paradoxo
anúrico
pluvial
Toci, és essencial à vida
mas por meio do
asco insetívoro
trouxeste do barro o bufo.
Deusa Toci, trazes
alegria ao plantado
e ao barro, aliviado.
Mas semeaste o
sórdido por onde
saltaste
domingo, 15 de novembro de 2009
Bufólicas
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Terceridade

segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Alto Conhecimento
avesso do mundo
canhoto sem causa,
na contramão...
conheça-te a ti mesmo
soluço não pára
soluço pra dentro
soluço de pedra,
soluço não sai...
conheça-te a ti mesmo
corrente contrária
sol na moleira
fardo no lombo,
peleja de morro...
conheça-te a ti mesmo
engula o engodo!
entale com o resto!
conheça-te a ti mesmo
mas não me fui apresentado...
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Inté mais ver, Seu Joaquim
Muito se debateu acerca do famigerado preconceito lingüístico, ou seja, determinadas variantes da língua portuguesa são consideradas deturpadas, arestas de um desconhecido e inalcançável português correto, digno de Camões.
Uma questão relevante levantada pelo lingüista Maurízzio Gnerre é o porquê deste tipo de preconceito que para Marcos Bagno é social e não lingüístico. Quer dizer, o errado (para quem assim pensa) é a pessoa que fala e não o que é falado. Uma gíria da periferia será discriminada por vir de lá e não necessariamente por distanciar-se do chamado “Português Padrão”.
A partir da segunda metade do século XVI, letrados e humanistas tiveram uma tarefa designada pelos detentores do poder de então: criar meios que comprovassem a superioridade de sua língua materna. Este fenômeno é justificado pela corrida por legitimação do poder. As línguas portuguesa e espanhola, por exemplo, travaram uma batalha ideológica em nome da conquista de povos e terras.
Desde então, no Brasil, por exemplo, criou-se um conceito de língua correta, pura, digna de um povo e um passado de glórias e a língua errada, estropiada, falada pelo gentio. Tal atitude só veio a legitimar uma desigualdade social grotesca, evidente até os dias de hoje no país do futebol.
Não é por acaso que pronúncias e sotaques regionais estão entre os elementos mais “combatidos” pelos puristas; o tão famoso português errado. Exemplo disso é a forma com que falantes fora do eixo Rio-São Paulo são colocados na grande mídia; nordestinos, mineiros, Gaúchos, etc. Principalmente nas novelas e minisséries, dificilmente não são representados de forma caricatural, burlesca.
A justificativa para isto encontra-se na essência do “problema”. Características regionais, sotaques, dificilmente são perdidos se o falante não tiver morado boa parte de sua vida fora de sua terra natal. Assim, a instrução não consegue (e nem deve) apagar estes traços do indivíduo, diferenciando assim com mais facilidade o suposto mau falante do bom.
Outro fator crucial neste apartheid lingüístico é que o dito português correto é usado freqüentemente para não ser compreendido pela grande massa. Discursos de contratos bancários, telemarketing e economia (como exemplo) não serão democratizados porque não convém. Poderia ser perigoso para a “nobreza” da era digital.
A fala, além de carregar todo o passado, toda individualidade do cidadão, está intimamente associada ao pensamento e dizer que o indivíduo não sabe falar a própria língua é afirmar que ele não sabe pensar. “Inté mais ver, Sô Joaquim”!
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Anjo Veloz
domingo, 27 de setembro de 2009
Trivial
cimento e sonho...
sigo a sina,
a espera da sena
meu time vencer
a esposa esquecer
do porre passado.
no bar...
a mentira consente,
resto de gente.
caninha pra dentro
rabada no peito
porrada na cara.
sábado, 26 de setembro de 2009
A Máquina da Felicidade
A primeira questão a ser observada é a predisposição do público da auto-ajuda (muitas vezes, cidadãos emocionalmente instáveis no momento da leitura) a buscar verdades inquestionáveis, otimistas e que prometem solucionar os maiores problemas da humanidade. Por outro lado, a figura do autor deve sempre ser associada àlguém vitorioso, confiante e com exemplos de vida sempre muito virtuosos.
São utilizadas frases que pregam certezas absolutas mas acríticas, ou seja, que não deverão ser questionadas, tais como: “querer é poder, viver é tentar, viver é ousar, quem ama educa, etc”. As artimanhas para tais axiomas não serem colocados em dúvida variam desde um exemplo de vida (nunca comprovado), até um apelo místico, religioso (como utiliza o guru Paulo Coelho). Frases no imperativo também cumprem tal função: “Seja você mesmo, pense sempre positivo, etc” Este modo verbal tradicionalmente já é pouco questionado ou o leitor costuma perguntar ao livro de receitas o porquê da adição de sal em uma guloseima?
Um clima otimista também estará presente nos rentáveis livros de auto-ajuda. As próprias capas o transmitem através de belas paisagens ou mesmo das caretas maquiadas de seus sorridentes autores ($). Surge com a finalidade de deixar o leitor eufórico e esperançoso com as informações “mágicas” daquelas páginas, que supostamente o tirarão de uma apatia pessimista e o levarão para o suposto mundo do sucesso.
A auto-ajuda também desconsiderará fatores culturais, sociais, políticos ou econômicos, além de colocar o ser humano em um patamar de igualdade (como se as mesmas dicas fossem solucionar os diferentes problemas das diferentes pessoas que podem estar lendo aquilo). Seria possível, leitor, através de uma simples e mesma “dica”, Adolf Hitler encontrar a salvação ainda com a proximidade da tomada de Berlim ou uma adolescente redescobrir o sentido da vida mesmo depois de ser recusada pelo namoradinho de duas semanas? Discursos de Lair Ribeiro, Napoleon Hill, Içami Tiba, Augusto Cury e Paulo Coelho sustentam a ideia de que todos podemos igualmente alcançar a glória, independentemente de nossas condições e peculiaridades. Bastaria ler seus livros e mantê-los cada vez mais milionários.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Preguiça
Alvejado pelos mais odiosos, rancorosos e precisos olhares de quem o procurava, Domingos simulava um aparente azedume na feição para evitar mesmo ser incomodado naquela repartição que ele mesmo ignorava a serventia. A cada informação pedida, empunhava o braço gordo à direção oposta:
_É com a Marli!
Não havia tarde que não agradecia a própria sorte por menos um dia e mais um jantar da bela Iza. Havia anos não aceitava mais o insistente futebol do amigo Ney:
_Seu nome lhe é perfeito, cara!
Naquele sábado, Ney não tocara a campainha cedo e a ausente Iza nem o café houvera feito.
