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domingo, 19 de setembro de 2010

Loira Gelada


E o gelo choca
Com o calor do lábio,
As papilas a acolhem,
Mãe saudosa

E seu tráfico fluido
Abranda o medo, arrepia,
Costado de rio,

A vertigem rodopia boa,
Sentencia em si e a gula pula.
Todas as ninfas se transbordam,
Escorrem
Seus lábios me encharcam em off

E o círculo gira afoito
Permanece certo,
Engodo matinal

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Poema de Natal

Devorar pernis transeuntes
Escarrar na barba do Noel
Que aperte o off o deus menino
E se cale o jingle bell

Ho ho hoje é dia de ironia
Em transe transam as máscaras
O saco rubro se esvazia com as almas
E se enche de música ridícula

É tempo de esperança sem juros
Que liquida e se divide
Engodo para a consciência...
Que as rolhas se esvoacem em glória
E que haja paciência!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Caçada

Desejo, o ímpeto
Dessossego aos poucos
Atormenta, atordoa a toa
Aos passos, poucos, aos pulos
_ Ele passa, diz a lenda!
Desalenta, desatenta
Desejança!

Saio, sem sol, sem sal
Suspirejo...só!

A saia...

Eu olho, me olho, o olho
Aos passos, poucos, aos pulos
Me envolvo, empolvo a presa, o faro
Esmago, entalo, enfaro

Saia...

Sou preso, sou presa, surpresa
O povo, o polvo, a prova
Dever...
Manter o que?

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Alto Conhecimento

locus horrendus
avesso do mundo
canhoto sem causa,
na contramão...

conheça-te a ti mesmo

soluço não pára
soluço pra dentro
soluço de pedra,
soluço não sai...

conheça-te a ti mesmo

corrente contrária
sol na moleira
fardo no lombo,
peleja de morro...

conheça-te a ti mesmo

engula o engodo!
entale com o resto!
conheça-te a ti mesmo
mas não me fui apresentado...

domingo, 27 de setembro de 2009

Trivial

sob a lata e o sol,
cimento e sonho...
sigo a sina,
a espera da sena
meu time vencer
a esposa esquecer
do porre passado.

no bar...
a mentira consente,
resto de gente.
caninha pra dentro
rabada no peito
porrada na cara.

domingo, 20 de setembro de 2009

Esféricas


Ao PSTU
Esferas não mudam

Compreender as esferas
Como deslizam, rolam, brilham
Mas sempre esferas

Camada lisa, lustre
Férrea, fera, fere
Jamais exferas,
Mentem...

Esferas não mudam

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Quase Unânime

todo limpo é quase sujo
toda transa é quase um fim
todo sempre é quase nunca
todo fora é quase um sim

todo piso falta um brilho
todo ácido falta cal
todo lápis falta ponta
toda sopa falta sal

toda trave é quase um gol
todo furto é quase cela
todo frango é quase galo
toda bicha é quase ela

toda boca pede boca
todo encontro pede menta
toda porta pede unto
todo pai pede pimenta.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Vocês

Você vem
Você me tem
Você é quem?
Você meu bem
Você aquém.

Você vem cá
Você vá
Você pra lá
Você não é,
Você está...

Você não há

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

La Febbre

há febres que não são ditas
frases que nunca se curam
Ah, o silêncio tagarela dos olhos...
mas como crer na verdade
se a certeza incomoda?
...de pedra!
Entender o que se não há dúvida,
Se de perto nada é correto?

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Amor Moderno



à mercê do acaso,
o amante hodierno busca a procura
sedento do incerto.

salve salve o oculto, o inédito e o novo.
O grande amor da última semana
entra sem licença, sai sem despedir.

A maçã moderna é mordida de imediato.
finda ao segundo encontro,
cai com a conexão.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Papo de Escorpião

nasce senhor de si o ódio,
de monstro onipotente a salvação da lavoura
o inseto te recebe,
glamouroso ódio,
com o espasmo de um vencedor
e te despeja,
sobre o pobre cordeiro,
com a ânsia de um orgasmo

Moça Feia


o blush, a recusa
o preto, a recusa
o mundo é esperança, desilude
mundo rancor

espelho, a moça bela, o tacho brigadeiro.
amigas são cactos, sorriem
amigas dolorem...
elas não vestem preto!

chapa ela com a chapa,
moça feia!
Esquece o cabelo
O mundo também é feio
Perdoe os olhos
Padeça o desprezo

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Apresentação

Lira Perecível

poeto com a
efemeridade de
tudo que me
perturba, trem passageiro...

chinelos, choros
dadá ou risos,
antes da tinta
é só o ovo

num átimo
procuro a pena,
mas o vento
varre a ideia,
lambida de onda

poeto mil poemas
por minuto, mas
tal qual jogo
de espelho se
desfazem.


Giu